O
plantão psicológico consiste em uma intervenção psicológica que procura acolher
o sujeito na urgência de sua necessidade, ajudando-o a lidar com seu
sofrimento. É uma prática inspirada no atendimento clínico breve, fora dos
moldes dos consultórios. O objetivo é o atendimento à demanda emergencial,
buscando facilitar que o sujeito clarifique a natureza de seu sofrimento. O
profissional se disponibiliza para encontrar-se com o não planejado (BARROS,
2008).
O
Plantão, de imediato, ofereceu-se para mim como um espaço privilegiado de
escuta do sofrimento humano. Nesse tipo de atendimento, não se trata de
fazer-se uma triagem com intuito de encaminhamento dos pacientes pra um
trabalho de psicodiagnóstico e posterior psicoterapia. O Plantão é já um
atendimento psicológico no qual o conselheiro se debruça sobre a narração da
história do paciente com propósito de, perpassando queixas, deixar aflorar uma
demanda da existência. As queixas estão no âmbito do manifesto, constituindo-se
no que aparece e emerge na fala; já a demanda é latente, situando-se no âmbito
do velado, urgindo desvelamento por uma compreensão testemunhada. (ALMEIDA APUD CRISTINA,
2010, p. 131).
Ou
seja, o plantão consiste em ficar pronto para a demanda emergencial que chegar
ao atendimento, acolhe-la em seu sofrimento, na medida do possível. Além dessa
função, o plantão atende a outra necessidade, a de triagem. Através do plantão,
é possível dividir e melhor encaminhar as demandas que chegam.
O
que podemos dizer sobre a relação da triagem tradicional com o plantão
psicológico? É evidente a diferença entre ambos, a ruptura marcante está na
relação entre o cliente e o psicólogo. Na triagem, o profissional busca
informações que permitam recomendar o melhor encaminhamento possível. Faz- se
necessária à coleta de alguns dados, cabendo ao cliente ofertar o que lhe é
pedido. Em se tratando da triagem interventiva, essa postura muda, passando a
dar importância à relação terapeuta e cliente, buscando sentidos e abrindo
caminhos de compreensão para a experiência trazida. Nesse caso, a triagem se
assemelha ao plantão.
Chammas
(2009), afirma, contudo, que diferentemente da triagem, o plantão não tem o
propósito de receber e distribuir uma clientela, mas de ser o espaço de
acolhimento. Cristina (2010) propõe que o plantão não se pretende uma técnica,
como se vê na triagem, mas uma disposição ao outro, sem uma exigência
pré-estabelecida no que diz respeito a informações sobre o paciente.
As
entrevistas do Plantão não visam uma continuidade do atendimento segundo o
modelo psicoterápico; em cada uma, focam-se os desdobramentos possíveis para as
questões patenteadas na elucidação de demandas, considerando-se, no diálogo com
a pessoa, intervenções de práticas especializadas ou populares, contando com
recursos institucionais, comunitários ou familiares. Assim, paciente e
conselheiro examinam e apreciam aquilo que melhor responde, nesse momento, aos
pedidos manifestados na ocasião. (ALMEIDA APUD CRISTINA, 2010, p.131).
A
princípio, observar a união de ambos parece resultar em uma possibilidade,
pois, enquanto temos o plantão, atendendo a escuta e emergência do sujeito,
também temos a favor o trabalho da triagem, que ajuda no melhor encaminhamento
sem, no entanto, se abster da empatia. Porém, apontando um olhar mais detido,
verificamos o problema em questão, a impessoalidade do atendimento. Apesar do
primeiro contato do plantão ser satisfatório, o que se dirá do cliente que se
apegar a esse primeiro momento e negar a continuar com outro profissional?
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CHAVESA,
Priscila Barros; HENRIQUES, Wilma Magaldi. PLANTÃO PSICOLÓGICO: De frente com o
inesperado. Psicol. Argum, São Paulo, n., p.151-157, 04 jun. 2008.
ROCHA,
Maria Cristina. PLANTÃO PSICOLÓGICO E TRIAGEM: APROXIMAÇÕES E
DISTANCIAMENTOS. Rev. NUFEN [online].
2011, vol.3, n.1, pp. 119-134. ISSN 2175-2591.