O
cuidado paliativo é uma prática que visa oferecer ao sujeito que não possui expectativa
de cura um atendimento que estimule bem-estar e qualidade de vida tanto para
ele quanto para sua família. Essa proposta terapêutica surgiu com o avanço da
medicina no enfrentamento de doenças graves e fatais, o que acabou por prolongar
a vida de pacientes que já não possuíam grandes possibilidades de cura (FERREIRA;
LOPES; MELO, 2011).
Ou
seja, são medidas terapêuticas que não possuem a intenção de curar mas sim de
aliviar os efeitos negativos do adoecimento (MELO; VALERO; MENEZES, 2013).
Logo
o objetivo não é mais a cura propriamente dita mas sim o de aliviar os
sintomas, a dor e o sofrimento, oferecendo uma assistência mais humanizada,
dando suporte a todas as dimensões psicológicas neste período que antecede a
morte. Certas doenças causam muito sofrimento ao sujeito e além de impactos
físicos, também há fortes impressões na visa psíquica, econômica e social.
Todos os transtornos que a doença traz consigo acabam por gerar muitos transtornos
psicológicos, afetando a qualidade de vida e até mesmo alguma possibilidade de
cura que ainda exista pelo tratamento (FERREIRA; LOPES; MELO, 2011).
O
psicólogo deve oferecer um espaço onde o sujeito possa expressar seus
sentimentos e angustias, que sinta-se seguro e encontre um cúmplice nessa última
etapa, aliviando a solidão e o sofrimento psíquico. É interessante que o psicólogo
explore as fantasias que o sujeito cria diante de seus medos, buscando uma
elaboração desse conteúdo afim de que novas possibilidades de enfrentamento
surjam (MELO; VALERO; MENEZES, 2013).
Cabe
ao psicólogo além do suporte a vida, saber identificar os recursos que o
sujeito ainda dispõe para enfrentar essas situações. Neste momento é imprescindível
que o sujeito encontre formas de controlar os sintomas para que consiga encontrar
meios que diminuam o sofrimento e assim clareei a mente para que possa enxergar
esses novos caminhos (FERREIRA; LOPES; MELO, 2011).
O
psicólogo também deve trabalhar a questão da morte tanto para o sujeito como pra
sua família, criando um espaço de despedidas e de preparação para a separação,
sendo preciso que se faça entender que a morte é um processo natural da vida, analisando
as fantasias de imortalidade e ressignificação dessa experiência (FERREIRA;
LOPES; MELO, 2011).
No
cuidado paliativo o psicólogo deve buscar promover o controle da dor e de
fatores estressantes, trabalhando a questão da morte e oferecendo suporte para
a família. Para tanto é necessário que esteja atento a sintomatologia e
patologia, para que possa identificar quais as causas dos transtornos que geram
mais fatores de estresse e sofrimento. Uma abordagem que se mostra interessante
nesse tipo de processo é o trabalho referente a questões de espiritualidade,
revelando uma fonte de conforto e recurso para o enfrentamento da doença (FERREIRA;
LOPES; MELO, 2011).
É
importante visualizar a importância de que o cuidado paliativo tenha sempre que
possível uma abordagem multidisciplinar, para que se possa oferecer um suporte
integral em todos as dimensões do corpo e mente do sujeito (FERREIRA; LOPES;
MELO, 2011).
Para
esse tipo de atuação o psicólogo deve possuir empatia e escuta acolhedora,
sendo preciso compreender a transmissão de mensagens que muitas vezes poderão ocorrer
de forma não verbal. Neste sentido é importante observar como o psicólogo atua
como um canal de comunicação entre o sujeito e os familiares e a equipe
envolvida, favorecendo a identificação de necessidades do sujeito e da família (FERREIRA;
LOPES; MELO, 2011).
Por
fim, talvez o ponto mais importante nesta modalidade terapêutica é o trabalho
sobre a autonomia do sujeito, que muitas vezes se mostra não só vítima de um
processo de adoecimento, como também de um grande processo de medicalização,
onde vai perdendo cada vez mais sua autonomia e opção de escolhas. Por isso é
importante que o psicólogo incentive junto a equipe e a família o respeito as
escolhas, os desejos e os limites emocionais do paciente, compreendendo a
dimensão da experiência na qual ele está passando (FERREIRA; LOPES; MELO, 2011).
Podemos
concluir que o objetivo do cuidado paliativo é oferecer um suporte ao sujeito
em sua última etapa de vida, auxiliando no enfrentamento de situações
desconfortantes e difíceis, apoiando-o para que essa experiência possa se
tornar algo significativo e consolador a todos os envolvidos.
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FERREIRA,
Ana Paula de Queiroz; LOPES, Leany Queiroz Ferreira e MELO, Mônica Cristina
Batista de. O papel do psicólogo na equipe de cuidados paliativos junto ao
paciente com câncer*. Rev. SBPH [online]. 2011, vol.14, n.2, pp. 85-98. ISSN
1516-0858.
MELO,
Anne Cristine de; VALERO, Fernanda Fernandes e MENEZES, Marina. A intervenção
psicológica em cuidados paliativos. Psic., Saúde & Doenças [online]. 2013,
vol.14, n.3, pp. 452-469. ISSN 1645-0086.
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