A psicanálise foi fundada
por Sigmund Freud, posteriormente com contribuições de novos pensadores como
Melanie Klein, Winnicott, Lacan, entre outros, a psicanálise trata-se de um
método onde o homem é compreendido como um ser dotado de um inconsciente,
alheia à consciência desperta. Sendo assim, chama atenção a questão que o homem
conhece muito pouco sobre si mesmo. A psicanálise vem propor essencialmente a
busca de evidências do significado do inconsciente em palavras, ações e
produções imaginárias do sujeito, podendo propiciar uma ampliação da mente,
tornando pensáveis e nomeáveis sentimentos e sensações desconhecidos.
Para Freud (1924), a
psicanálise cresceu em um terreno delimitado, a princípio seu único objetivo
era apenas conhecer um pouco da natureza de doenças nervosas denominadas
funcionais. Na época, estas doenças eram vistas pelo lado químico-físico e
anatômico-fisiológico, enquanto sobre o fator psíquico, contentavam-se em
considerar a fórmula de que isso tudo se devia a transtornos funcionais das
partes do cérebro. A mudança desse pensamento
veio com os fenômenos do hipnotismo. A questão era ser admitida a veracidade
destas experiências. Admitindo-se isso, seriam possíveis duas colocações, as
mudanças físicas eram resultados de influências psíquicas que o próprio
hipnotizador havia colocado e a convicção de que há a existência de processos
chamados inconscientes (FREUD, 1924).
A hipnose se revelou um meio para o estudo das neuroses.
Através dos estudos e experiências do médico Dr. Josef Breuer (1881), foi
possível observar o uso da hipnose também na cura da histeria. Após estudos e
experiências, Breuer, juntamente com Freud, publicaram juntos ‘’Estudos sobre a
histeria’’ em 1895, onde afirmava que o sintoma histérico surge quando o afeto
de um processo psíquico é afastado da elaboração consciente normal, sendo então
encaminhada para uma via errada. A partir disso, ele é convertido em uma
inervação somática. Através da revivência pela hipnose de episódio específico
do sujeito, este afeto pode ser guiado para uma nova direção e despachado,
denominando esse processo de Catarse (FREUD, 1924).
No entanto, o passo
decisivo para o surgimento da psicanálise foi dado ao decidir abster-se da
técnica hipnótica. Há dois motivos para isso, pois nem todos os pacientes
entravam em transe hipnótico e pela insatisfação dos resultados através do
método catártico. O papel da hipnose era
conduzir a lembrança que fora esquecida a consciência, fazia-se necessário
encontrar outra técnica para isso, foi quando Freud decidiu trocá-la pelo
método de associação livre, que requeria que o paciente abandonasse sua
reflexão consciente e se entregasse ao curso de seus pensamentos espontâneos
(FREUD, 1924).
A ideia da associação livre não se revelaria realmente
livre. Após a supressão da corrente consciente, ficaria claro que o
determinante das decisões estaria sendo de forma inconsciente. Dessa maneira,
seguindo a associação livre, era possível obter rico material das coisas que
viam da mente do paciente, podendo assim chegar a pistas do que o sujeito havia
se esquecido. Mesmo o material não trazendo o que foi essencialmente esquecido,
trazia claras e numerosas alusões a ele, tornando possível a construção do
esquecido (FREUD, 1924).
Passou a se ter noção de uma força que fazia resistir de
forma constante e intensa, manifestando objeções e críticas com que o paciente
procurava excluir da comunicação os pensamentos que lhe ocorriam agindo contra
a análise. Foi a partir disso que nasceu um dos pilares teóricos da
psicanálise, a teoria da repressão. As manifestações e os impulsos psíquicos,
no qual os sintomas serviam de substitutos, não foram esquecidos sem nenhuma
razão. Por influência de outras forças psíquicas, experimentam a repressão com
o intuito de manter fora da consciência e excluídos da lembrança certas
memórias (FREUD, 1924).
Nas palavras de Freud (1924)
sobre a repressão:
Via de regra, a repressão
partia da personalidade consciente (do Eu) do paciente, invocando motivos
éticos e estéticos; eram atingidos por elas impulsos de egoísmo e crueldade
geralmente considerados maus, mas sobre tudo desejos sexuais, com frequência da
espécie mais crua e mais proibida. Os sintomas patológicos eram, portanto, um
substituto para satisfações proibidas, e a doença parecia corresponder a uma
imperfeita subjugação do que há de imoral no ser humano. (FREUD, 1924, p. 233).
A partir disso, o progresso
dos estudos revelou cada vez mais a importância que os desejos sexuais têm na
vida psíquica. Também as vivências e os conflitos nos primeiros anos de vida
possuem grande importância no desenvolvimento do sujeito, deixando
predisposições para sua vida adulta. Destas, destacou-se a complicada relação
com os pais, sendo denominado ‘’complexo de Édipo’’ (FREUD, 1924).
FREUD, Sigmund. RESUMO DA PSICANÁLISE (1924). São Paulo: Companhia
Das Letras, 2011.
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