''Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.''
Sigmund Freud

segunda-feira, 30 de março de 2015

Conhecendo a psicanálise I

A psicanálise foi fundada por Sigmund Freud, posteriormente com contribuições de novos pensadores como Melanie Klein, Winnicott, Lacan, entre outros, a psicanálise trata-se de um método onde o homem é compreendido como um ser dotado de um inconsciente, alheia à consciência desperta. Sendo assim, chama atenção a questão que o homem conhece muito pouco sobre si mesmo. A psicanálise vem propor essencialmente a busca de evidências do significado do inconsciente em palavras, ações e produções imaginárias do sujeito, podendo propiciar uma ampliação da mente, tornando pensáveis e nomeáveis sentimentos e sensações desconhecidos.
Para Freud (1924), a psicanálise cresceu em um terreno delimitado, a princípio seu único objetivo era apenas conhecer um pouco da natureza de doenças nervosas denominadas funcionais. Na época, estas doenças eram vistas pelo lado químico-físico e anatômico-fisiológico, enquanto sobre o fator psíquico, contentavam-se em considerar a fórmula de que isso tudo se devia a transtornos funcionais das partes do cérebro.  A mudança desse pensamento veio com os fenômenos do hipnotismo. A questão era ser admitida a veracidade destas experiências. Admitindo-se isso, seriam possíveis duas colocações, as mudanças físicas eram resultados de influências psíquicas que o próprio hipnotizador havia colocado e a convicção de que há a existência de processos chamados inconscientes (FREUD, 1924).
            A hipnose se revelou um meio para o estudo das neuroses. Através dos estudos e experiências do médico Dr. Josef Breuer (1881), foi possível observar o uso da hipnose também na cura da histeria. Após estudos e experiências, Breuer, juntamente com Freud, publicaram juntos ‘’Estudos sobre a histeria’’ em 1895, onde afirmava que o sintoma histérico surge quando o afeto de um processo psíquico é afastado da elaboração consciente normal, sendo então encaminhada para uma via errada. A partir disso, ele é convertido em uma inervação somática. Através da revivência pela hipnose de episódio específico do sujeito, este afeto pode ser guiado para uma nova direção e despachado, denominando esse processo de Catarse (FREUD, 1924).
No entanto, o passo decisivo para o surgimento da psicanálise foi dado ao decidir abster-se da técnica hipnótica. Há dois motivos para isso, pois nem todos os pacientes entravam em transe hipnótico e pela insatisfação dos resultados através do método catártico.  O papel da hipnose era conduzir a lembrança que fora esquecida a consciência, fazia-se necessário encontrar outra técnica para isso, foi quando Freud decidiu trocá-la pelo método de associação livre, que requeria que o paciente abandonasse sua reflexão consciente e se entregasse ao curso de seus pensamentos espontâneos (FREUD, 1924).
            A ideia da associação livre não se revelaria realmente livre. Após a supressão da corrente consciente, ficaria claro que o determinante das decisões estaria sendo de forma inconsciente. Dessa maneira, seguindo a associação livre, era possível obter rico material das coisas que viam da mente do paciente, podendo assim chegar a pistas do que o sujeito havia se esquecido. Mesmo o material não trazendo o que foi essencialmente esquecido, trazia claras e numerosas alusões a ele, tornando possível a construção do esquecido (FREUD, 1924).
            Passou a se ter noção de uma força que fazia resistir de forma constante e intensa, manifestando objeções e críticas com que o paciente procurava excluir da comunicação os pensamentos que lhe ocorriam agindo contra a análise. Foi a partir disso que nasceu um dos pilares teóricos da psicanálise, a teoria da repressão. As manifestações e os impulsos psíquicos, no qual os sintomas serviam de substitutos, não foram esquecidos sem nenhuma razão. Por influência de outras forças psíquicas, experimentam a repressão com o intuito de manter fora da consciência e excluídos da lembrança certas memórias (FREUD, 1924).
Nas palavras de Freud (1924) sobre a repressão:
  
Via de regra, a repressão partia da personalidade consciente (do Eu) do paciente, invocando motivos éticos e estéticos; eram atingidos por elas impulsos de egoísmo e crueldade geralmente considerados maus, mas sobre tudo desejos sexuais, com frequência da espécie mais crua e mais proibida. Os sintomas patológicos eram, portanto, um substituto para satisfações proibidas, e a doença parecia corresponder a uma imperfeita subjugação do que há de imoral no ser humano.  (FREUD, 1924, p. 233).

A partir disso, o progresso dos estudos revelou cada vez mais a importância que os desejos sexuais têm na vida psíquica. Também as vivências e os conflitos nos primeiros anos de vida possuem grande importância no desenvolvimento do sujeito, deixando predisposições para sua vida adulta. Destas, destacou-se a complicada relação com os pais, sendo denominado ‘’complexo de Édipo’’ (FREUD, 1924).

FREUD, Sigmund. RESUMO DA PSICANÁLISE (1924). São Paulo: Companhia Das Letras, 2011.

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