''Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.''
Sigmund Freud

terça-feira, 2 de junho de 2015

A Psicoterapia Breve

A psicoterapia breve trata-se de uma intervenção terapêutica diferente da comum, como o próprio nome diz, sua característica é ser breve, com tempo e objetivos delimitados. São pontos elaborados após uma análise diagnóstica em primeiro momento, buscando definir seus alicerces como o foco, a estratégia e os objetivos da terapia (OLIVEIRA, 1999).
Estudos apontam que um de seus precursores foi Freud, onde, no início do desenvolvimento de sua prática poucas eram as terapias que ultrapassavam algum tempo, tendo análises suas que duravam menos de algumas poucas sessões ou mesmo menos de algumas horas, como por exemplo Dora, o homem dos ratos e o compositor Gustav Mahler (FRANCHETTI, 2007).
Com o desenvolvimento de sua teoria, acabou deixando por estender os tempos de atendimento. Nesse movimento vemos que a psicoterapia surgiu dentro da psicanálise, porém, com o tempo, seguiu-se em diferentes orientações (FRANCHETTI, 2007).
É possível, de acordo com alguns autores, dividir a psicoterapia breve em três modelos (OLIVEIRA, 1999).
O modelo estrutural ou de Impulso, onde Malan (1976) propõe que seja pensada uma hipótese inicial onde através dela se é planejado a forma em que será elaborado o trabalho terapêutico, delimitando tempo e objetivos da terapia, buscando identificar o conflito primário que gerou o atual problema do sujeito. Outro pensador desse modelo, Sifneos (1979), com a psicoterapia breve provocadora de ansiedade, adota uma posição ativa, levando o sujeito a encarar e confrontar os seus conflitos. Já Davanloo (1980) pensa essa confrontação observando as interpretações, as defesas e os sonhos do sujeito, priorizando os conflitos intrapsíquicos. As críticas consideram uma postura muito autoritária do terapeuta, submetendo-o ao que o terapeuta imagina ser o certo (OLIVEIRA, 1999).
Já o modelo relacional apoia o seu foco nas relações objetais do sujeito. Ao contrário da Estrutural, não se baseiam tanto em uma teoria, dando mais importância à experiência do agora. Sua base é a relação interpessoal que o indivíduo estabelece e em como lida com a relação terapêutica, colocando o terapeuta como um observador participativo. Por outro lado, as críticas a esse método dizem de sua menor preocupação com a técnica (OLIVEIRA, 1999).
Por fim, o modelo Integrativo visa integrar as técnicas e conceitos de outros modelos com o intuito de aumentar a eficiência da psicoterapia breve. Pensadores como Mann(1973) consideram os constructos dos modelos anteriores como complementares, dizendo de diferentes formas de funcionamento mental (OLIVEIRA, 1999).
Em relação ao tempo, busca-se estabelecer um tempo limite de 12 horas de tratamento, divididas da forma que melhor convir a terapia. O objetivo aqui é pensar que estabelecido um momento de termino e separação da terapia, acelere o processo, tornando o trabalho mais ativo (OLIVEIRA, 1999).
Na psicoterapia breve as sessões devem ocorrer face-a-face, de modo a favorecer e intensificar a influência da terapia, sendo também de grande importância a delimitação do tempo, usualmente entre três meses a um ano. O estabelecimento do tempo também funcionará como combustível para manter a terapia mais ativa (FRANCHETTI, 2007).
Freud pensou essa ‘’chantagem’’ como facilitadora da terapia, contudo, arriscada, se o tempo pensado não agir com um bom encaixe no sujeito, seus efeitos podem não ser promissores (HEGENBERG, 2012).
No ponto de vista psicanalítico, o terapeuta manterá a perspectiva de interpretação, observando os movimentos da transferência, resistências e qualquer indicio do inconsciente (FRANCHETTI, 2007).
De acordo com Hegenberg (2012) o devido procedimento se dá a partir da fixação de quatro pilares essenciais para o andamento da terapia. : a investigação/análise transferencial, a interpretação, a utilização das associações livres/atenção flutuante e o respeito à neutralidade. Enfatiza que tanto a análise clássica quanto o Plantão psicológico seguem o vértice psicanalítico, o que vai diferenciar entre os dois é o enquadre em questão.  Na análise será Necessário a verificação da necessidade de uma terapia breve no sujeito, ele mesmo pode não ter a necessidade de se aprofundar em suas questões subjetivas, mas sim em um determinado acontecimento que lhe gera angustia, que pode ser a castração, de fragmentação ou de perda do objeto. Tratando-se então da escolha de um foco para reflexão, sendo definido alguns como o sintoma, as defesas, a crise, a relação objetal, um traço de caráter, um conflito, a questão edípica, entre outros.  Sendo na opinião do autor que o foco sempre incidirá na angústia de castração, de fragmentação e de perda do objeto (HEGENBERG, 2012).
A psicoterapia breve em psicanálise não tem a finalidade de eliminar o sintoma, mas sim o esclarecimento do foco, procurando propiciar auto-reflexão. O foco é um acordo entre o terapeuta e o paciente, uma forma de estabelecerem um plano inicial de trabalho, onde se endente o problema atual. O foco incidirá então na angústia de castração, de fragmentação ou de perda do objeto, ligada ao motivo da consulta, em conexão com a história do paciente (HEGENBERG, 2012).  
Apesar das críticas ao método psicanalítico envolvido na terapia breve, se Compreendido o vértice psicanalítico como a articulação da teoria com o procedimento, a variação de enquadre da psicoterapia breve, com o tempo limitado de terapia e a utilização de um foco, não afasta a psicanálise, apenas a coloca em um lugar diferente, com repercussões diferentes, mantendo-se o método, alterando apenas o enquadre (HEGENBERG, 2012).
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OLIVEIRA, Iraní Tomiatto de. PSICOTERAPIA PSICODINÂMICA BREVE: DOS PRECURSORES AOS MODELOS ATUAIS. Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, v. 2, n. 1, p.9-19, jan. 1999.

FRANCHETTI, Sílvia Helena Allane. Psicoterapia breve: uma possibilidade de trabalho psicanalítico na instituição.p.1-7, 2007.

HEGENBERG, Mauro. Psicoterapia breve psicanalítica., -. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs40/40Hegenberg.html>.             Acesso em: 10 out. 2012.

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