A
psicoterapia breve trata-se de uma intervenção terapêutica diferente da comum,
como o próprio nome diz, sua característica é ser breve, com tempo e objetivos
delimitados. São pontos elaborados após uma análise diagnóstica em primeiro
momento, buscando definir seus alicerces como o foco, a estratégia e os
objetivos da terapia (OLIVEIRA, 1999).
Estudos
apontam que um de seus precursores foi Freud, onde, no início do
desenvolvimento de sua prática poucas eram as terapias que ultrapassavam algum
tempo, tendo análises suas que duravam menos de algumas poucas sessões ou mesmo
menos de algumas horas, como por exemplo Dora, o homem dos ratos e o compositor
Gustav Mahler (FRANCHETTI, 2007).
Com
o desenvolvimento de sua teoria, acabou deixando por estender os tempos de
atendimento. Nesse movimento vemos que a psicoterapia surgiu dentro da
psicanálise, porém, com o tempo, seguiu-se em diferentes orientações (FRANCHETTI,
2007).
É
possível, de acordo com alguns autores, dividir a psicoterapia breve em três
modelos (OLIVEIRA, 1999).
O
modelo estrutural ou de Impulso, onde Malan (1976) propõe que seja pensada uma
hipótese inicial onde através dela se é planejado a forma em que será elaborado
o trabalho terapêutico, delimitando tempo e objetivos da terapia, buscando
identificar o conflito primário que gerou o atual problema do sujeito. Outro
pensador desse modelo, Sifneos (1979), com a psicoterapia breve provocadora de
ansiedade, adota uma posição ativa, levando o sujeito a encarar e confrontar os
seus conflitos. Já Davanloo (1980) pensa essa confrontação observando as
interpretações, as defesas e os sonhos do sujeito, priorizando os conflitos
intrapsíquicos. As críticas consideram uma postura muito autoritária do
terapeuta, submetendo-o ao que o terapeuta imagina ser o certo (OLIVEIRA, 1999).
Já
o modelo relacional apoia o seu foco nas relações objetais do sujeito. Ao
contrário da Estrutural, não se baseiam tanto em uma teoria, dando mais importância
à experiência do agora. Sua base é a relação interpessoal que o indivíduo
estabelece e em como lida com a relação terapêutica, colocando o terapeuta como
um observador participativo. Por outro lado, as críticas a esse método dizem de
sua menor preocupação com a técnica (OLIVEIRA, 1999).
Por
fim, o modelo Integrativo visa integrar as técnicas e conceitos de outros
modelos com o intuito de aumentar a eficiência da psicoterapia breve.
Pensadores como Mann(1973) consideram os constructos dos modelos anteriores
como complementares, dizendo de diferentes formas de funcionamento mental (OLIVEIRA,
1999).
Em
relação ao tempo, busca-se estabelecer um tempo limite de 12 horas de
tratamento, divididas da forma que melhor convir a terapia. O objetivo aqui é
pensar que estabelecido um momento de termino e separação da terapia, acelere o
processo, tornando o trabalho mais ativo (OLIVEIRA, 1999).
Na
psicoterapia breve as sessões devem ocorrer face-a-face, de modo a favorecer e intensificar
a influência da terapia, sendo também de grande importância a delimitação do
tempo, usualmente entre três meses a um ano. O estabelecimento do tempo também
funcionará como combustível para manter a terapia mais ativa (FRANCHETTI, 2007).
Freud
pensou essa ‘’chantagem’’ como facilitadora da terapia, contudo, arriscada, se
o tempo pensado não agir com um bom encaixe no sujeito, seus efeitos podem não
ser promissores (HEGENBERG,
2012).
No
ponto de vista psicanalítico, o terapeuta manterá a perspectiva de
interpretação, observando os movimentos da transferência, resistências e
qualquer indicio do inconsciente (FRANCHETTI, 2007).
De
acordo com Hegenberg (2012) o devido procedimento se dá a partir da fixação de
quatro pilares essenciais para o andamento da terapia. : a investigação/análise
transferencial, a interpretação, a utilização das associações livres/atenção
flutuante e o respeito à neutralidade. Enfatiza que tanto a análise clássica
quanto o Plantão psicológico seguem o vértice psicanalítico, o que vai
diferenciar entre os dois é o enquadre em questão. Na análise será Necessário a verificação da
necessidade de uma terapia breve no sujeito, ele mesmo pode não ter a
necessidade de se aprofundar em suas questões subjetivas, mas sim em um
determinado acontecimento que lhe gera angustia, que pode ser a castração, de fragmentação
ou de perda do objeto. Tratando-se então da escolha de um foco para reflexão,
sendo definido alguns como o sintoma, as defesas, a crise, a relação objetal,
um traço de caráter, um conflito, a questão edípica, entre outros. Sendo na opinião do autor que o foco sempre
incidirá na angústia de castração, de fragmentação e de perda do objeto (HEGENBERG, 2012).
A
psicoterapia breve em psicanálise não tem a finalidade de eliminar o sintoma,
mas sim o esclarecimento do foco, procurando propiciar auto-reflexão. O foco é
um acordo entre o terapeuta e o paciente, uma forma de estabelecerem um plano
inicial de trabalho, onde se endente o problema atual. O foco incidirá então na
angústia de castração, de fragmentação ou de perda do objeto, ligada ao motivo
da consulta, em conexão com a história do paciente (HEGENBERG, 2012).
Apesar
das críticas ao método psicanalítico envolvido na terapia breve, se Compreendido
o vértice psicanalítico como a articulação da teoria com o procedimento, a
variação de enquadre da psicoterapia breve, com o tempo limitado de terapia e a
utilização de um foco, não afasta a psicanálise, apenas a coloca em um lugar
diferente, com repercussões diferentes, mantendo-se o método, alterando apenas
o enquadre (HEGENBERG, 2012).
_______________________________________________________________
OLIVEIRA,
Iraní Tomiatto de. PSICOTERAPIA PSICODINÂMICA BREVE: DOS PRECURSORES AOS
MODELOS ATUAIS. Psicologia: Teoria e Prática, São Paulo, v. 2, n. 1, p.9-19, jan.
1999.
FRANCHETTI,
Sílvia Helena Allane. Psicoterapia breve: uma possibilidade de trabalho
psicanalítico na instituição.p.1-7, 2007.
HEGENBERG, Mauro. Psicoterapia breve psicanalítica., -. Disponível em:
<http://www2.uol.com.br/percurso/main/pcs40/40Hegenberg.html>. Acesso em: 10 out. 2012.
Nenhum comentário:
Postar um comentário