O atendimento domiciliar é oferecido a pessoas
com impedimentos físicos ou psicológicos de irem ao consultório, sendo exemplo
disso pacientes acidentados ou idosos. Esta prática apresenta obstáculos que
fazem com que o psicólogo deva ser versátil em sua atuação, devendo estar
pronto para atender o sujeito em sua casa, sabendo lidar com toda a
interferência familiar ou de cunho pessoal do paciente. É preciso analisar a
dinâmica familiar e saber tomar uma postura junto a ela, sem se deixar levar por ela (ROTH, 2001).
Por tratar-se de um assunto que diz respeito ao
adoecimento é importante compreender como esse processo afeta o sujeito. O
adoecimento impõe a ele uma situação desagradável, incerto de como será o seu
futuro e sua recuperação, e por mais que exista a dor o sofrimento psicológico
depende da postura do sujeito frente a esse processo (ROTH, 2001).
A psicologia então vem para auxiliar o sujeito
a encontrar seus próprios recursos, propiciando um melhor enfrentamento da
situação. Para tanto é importante entender como se deu o processo de
adoecimento, se foi algo repentino ou fruto de um longo processo. Esta doença
traz junto dela problemas sérios que não afetam só o doente mas também a
família. Apesar disso é importante lembrarmos de como é curioso o funcionamento
psíquico, pois é bem possível (talvez, até mesmo fácil) que se encontrem
pessoas que o adoecimento lhes traz vantagens, como mais atenção e cuidado,
revelando então uma realidade para além da doença, mostrando uma condição que
possa inconscientemente prolongar o adoecimento (ROTH, 2001).
Portanto é de extrema necessidade que o
psicólogo saiba observar a expressão de como o paciente está compreendendo sua
doença. Deve estar atento a forma que a pessoa vivencia esse momento pois essa
atitude é um material cheio e significados atribuídos a doença e as suas
consequências (ROTH, 2001).
Em sua atuação o psicólogo deve atentar para os
recursos disponíveis para a terapia, é importante perceber que a pessoa
encontra-se fragilizada e que não conta com 100% de sua capacidade, onde nem
sempre terá condições de verbalizar o que sente ou de conversar por muito
tempo. Porém o psicólogo não pode compreender isso como limitação do paciente e
obstáculo ao atendimento. Deve ser capaz de conseguir contornar esta situação
tendo em mente como este fator afeta a ansiedade e angustia do sujeito (ROTH,
2001).
O
terapeuta deve sempre ter em mente que o fato do paciente não poder falar
muitas vezes é apenas mais um fator gerador de ansiedade e angustia para o
paciente, e não deve entender essa dificuldade como limitação para o
atendimento. Não poder atender um paciente impossibilitado de falar é sempre
limitação do terapeuta e não do paciente.
(ROTH, 2001, p.12.)
Também é importante para o psicólogo observar
que esse sujeito pode estar sendo acompanhado por vários outros profissionais,
sendo interessante saber o que o sujeito pensa de estar em meio a toda essa
dinâmica que foge do seu controle. Quando se atende alguém que está sendo
acompanhado é importante que entre em contato tanto para comunicar que agora
também faz parte do acompanhamento bem como para saber da situação clínica em
que se encontra. E justamente por ter tantos profissionais atendendo sobre ele
de uma forma que lhe tira toda a autonomia é de especial relevância que seja
acertado com o próprio paciente se ele realmente tem ou não o interesse de
fazer a psicoterapia (ROTH, 2001).
Entrar na casa do paciente é outro assunto
delicado, esta entrada expõe informações que fogem do controle do paciente, não
se sabe se ele desejaria revelar ou não, podendo ser constrangedor para ele e
para família, portanto é importante que se respeite a dinâmica e as regras no
espaço domiciliar, a fim que a visita profissional não seja interpretada como
uma invasão (LAHAM, 2003).
Tendo então esse contato com a família, deve-se observar em
como ela também é afetada, sondando os eventuais problemas familiares que
possam estar prejudicando a recuperação e tratamento do sujeito. Porém o
psicólogo não deve permitir que sua visita torne-se algo social, seu objetivo é
terapêutico e por isso deve delimitar o devido espaço para a realização do seu
trabalho (LAHAM, 2003).
Por fim o psicólogo pode chegar à conclusão de
que o paciente tenha apenas a possibilidade de receber cuidados paliativos,
sendo portanto necessário que se ofereça a ele todos os recursos possíveis para
que possa passar por esse momento da melhor maneira possível. Podemos concluir
que o atendimento domiciliar oferece um novo leque de possibilidades de atuação
como também um contato profundo com a realidade do sujeito e mesmo que este
contato tão cru revele vários obstáculos, é o dever de um bom profissional
lidar com isso (LAHAM, 2003).
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ROTH, Maria Cecília. Atendimento Psicológico Domiciliar.
2001. Disponível em:
<http://www.neppho.com.br/saiba-mais/19-atendimento-psicológico-domiciliar>.
Acesso em: 15 mar. 15.
LAHAM, Cláudia Fernandes. Peculiaridades do atendimento
psicológico em domicílio e o trabalho em equipe. --, São Paulo, p.1-9, 2003.
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