''Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.''
Sigmund Freud

terça-feira, 14 de abril de 2015

Atendimento domiciliar em psicologia

O atendimento domiciliar é oferecido a pessoas com impedimentos físicos ou psicológicos de irem ao consultório, sendo exemplo disso pacientes acidentados ou idosos. Esta prática apresenta obstáculos que fazem com que o psicólogo deva ser versátil em sua atuação, devendo estar pronto para atender o sujeito em sua casa, sabendo lidar com toda a interferência familiar ou de cunho pessoal do paciente. É preciso analisar a dinâmica familiar e saber tomar uma postura junto a ela, sem se deixar levar  por ela (ROTH, 2001).
Por tratar-se de um assunto que diz respeito ao adoecimento é importante compreender como esse processo afeta o sujeito. O adoecimento impõe a ele uma situação desagradável, incerto de como será o seu futuro e sua recuperação, e por mais que exista a dor o sofrimento psicológico depende da postura do sujeito frente a esse processo (ROTH, 2001).
A psicologia então vem para auxiliar o sujeito a encontrar seus próprios recursos, propiciando um melhor enfrentamento da situação. Para tanto é importante entender como se deu o processo de adoecimento, se foi algo repentino ou fruto de um longo processo. Esta doença traz junto dela problemas sérios que não afetam só o doente mas também a família. Apesar disso é importante lembrarmos de como é curioso o funcionamento psíquico, pois é bem possível (talvez, até mesmo fácil) que se encontrem pessoas que o adoecimento lhes traz vantagens, como mais atenção e cuidado, revelando então uma realidade para além da doença, mostrando uma condição que possa inconscientemente prolongar o adoecimento (ROTH, 2001).
Portanto é de extrema necessidade que o psicólogo saiba observar a expressão de como o paciente está compreendendo sua doença. Deve estar atento a forma que a pessoa vivencia esse momento pois essa atitude é um material cheio e significados atribuídos a doença e as suas consequências (ROTH, 2001).
Em sua atuação o psicólogo deve atentar para os recursos disponíveis para a terapia, é importante perceber que a pessoa encontra-se fragilizada e que não conta com 100% de sua capacidade, onde nem sempre terá condições de verbalizar o que sente ou de conversar por muito tempo. Porém o psicólogo não pode compreender isso como limitação do paciente e obstáculo ao atendimento. Deve ser capaz de conseguir contornar esta situação tendo em mente como este fator afeta a ansiedade e angustia do sujeito (ROTH, 2001).

O terapeuta deve sempre ter em mente que o fato do paciente não poder falar muitas vezes é apenas mais um fator gerador de ansiedade e angustia para o paciente, e não deve entender essa dificuldade como limitação para o atendimento. Não poder atender um paciente impossibilitado de falar é sempre limitação do terapeuta e não do paciente. (ROTH, 2001, p.12.)

Também é importante para o psicólogo observar que esse sujeito pode estar sendo acompanhado por vários outros profissionais, sendo interessante saber o que o sujeito pensa de estar em meio a toda essa dinâmica que foge do seu controle. Quando se atende alguém que está sendo acompanhado é importante que entre em contato tanto para comunicar que agora também faz parte do acompanhamento bem como para saber da situação clínica em que se encontra. E justamente por ter tantos profissionais atendendo sobre ele de uma forma que lhe tira toda a autonomia é de especial relevância que seja acertado com o próprio paciente se ele realmente tem ou não o interesse de fazer a psicoterapia (ROTH, 2001).
Entrar na casa do paciente é outro assunto delicado, esta entrada expõe informações que fogem do controle do paciente, não se sabe se ele desejaria revelar ou não, podendo ser constrangedor para ele e para família, portanto é importante que se respeite a dinâmica e as regras no espaço domiciliar, a fim que a visita profissional não seja interpretada como uma invasão (LAHAM, 2003).
Tendo então esse contato com a família, deve-se observar em como ela também é afetada, sondando os eventuais problemas familiares que possam estar prejudicando a recuperação e tratamento do sujeito. Porém o psicólogo não deve permitir que sua visita torne-se algo social, seu objetivo é terapêutico e por isso deve delimitar o devido espaço para a realização do seu trabalho (LAHAM, 2003).
Por fim o psicólogo pode chegar à conclusão de que o paciente tenha apenas a possibilidade de receber cuidados paliativos, sendo portanto necessário que se ofereça a ele todos os recursos possíveis para que possa passar por esse momento da melhor maneira possível. Podemos concluir que o atendimento domiciliar oferece um novo leque de possibilidades de atuação como também um contato profundo com a realidade do sujeito e mesmo que este contato tão cru revele vários obstáculos, é o dever de um bom profissional lidar com isso (LAHAM, 2003).
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ROTH, Maria Cecília. Atendimento Psicológico Domiciliar. 2001. Disponível em: <http://www.neppho.com.br/saiba-mais/19-atendimento-psicológico-domiciliar>. Acesso em: 15 mar. 15.
LAHAM, Cláudia Fernandes. Peculiaridades do atendimento psicológico em domicílio e o trabalho em equipe. --, São Paulo, p.1-9, 2003.

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