''Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.''
Sigmund Freud

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Observações sobre o psicodiagnóstico e a avaliação psicológica

Na psicologia há uma modalidade que busca um enquadramento situacional do paciente para que a partir disso possa se encontrar um norte e dessa forma, uma lista de maneiras de como lidar e agir em determinada situação. Para tanto há instrumentos com diferentes finalidades, sendo possível identificar problemas de saúde mental, efetuar o diagnóstico psiquiátrico, mensurar o desenvolvimento, a inteligência, a adaptação social, entre outros parâmetros. Estes instrumentos são o que chamamos de avaliação psicológica (DUARTE; BORDIN, 2000).
Quando a finalidade é a formulação de diagnósticos psiquiátricos, são muitos os instrumentos padronizados existentes. São entrevistas semi-estruturadas dirigidas aos pais e as crianças, onde a aplicação deve ser realizada por profissional experiente na área da infância e adolescência, pois o julgamento clínico também é necessário para gerar os resultados. Além de sondar os transtornos psiquiátricos, é importante que a avaliação da saúde mental busque um contexto mais geral, analisando os diferentes fatores que envolve a vida do sujeito, como o ambiente sociocultural e familiar, entre outros aspectos no desenvolvimento. Dentre tais aspectos, destaca-se o desenvolvimento cognitivo, pois seu prejuízo parece estar especialmente relacionado a psicopatologia (DUARTE; BORDIN, 2000).
Uma grande contribuição que a avaliação faz sobre os problemas de saúde mental infantil é a identificação dos fatores de risco, permitindo o melhor planejamento das políticas de saúde mental na infância e a avaliação das intervenções e tratamentos oferecidos (DUARTE; BORDIN, 2000).
            No entanto, na área da saúde mental, um dos objetivos a serem alcançados refere-se ao correto diagnóstico e, para tal, utiliza-se instrumentos psicológicos específicos. Recentemente os testes psicológicos vêm sendo questionados principalmente em relação à fidedignidade dos resultados da avaliação. As prováveis consequências disso devem-se a banalização no meio sócio profissional e reforçada pela falta de critérios de fundamentos científicos (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
A avaliação busca descrever e classificar o comportamento das pessoas com o objetivo de enquadrá-los em uma tipologia que permita ao profissional tirar conclusões sobre outros em mesma situação e assim saber como ele mesmo deve se comportar e agir em relação ao paciente (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O psicodiagnóstico, modalidade de avaliação referente a esfera clínica, é um processo científico que utiliza métodos e técnicas psicológicas usando de determinados princípios teóricos para identificar e interpretar aspectos específicos classificando o caso e prevendo seu curso possível (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O trabalho na área clínica busca um foco investigativo, no qual o enfoque principal torna-se o diagnóstico, prognóstico e a indicação de condutas terapêuticas, já em um contexto hospitalar psiquiátrico ou de saúde mental, busca englobar áreas da investigação da personalidade e aspectos neurológicos, envolvendo os processos cognitivos subjacente ou não à atividade do sistema nervoso em condições normais e patológicas (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O objetivo destes e de muitos outros é identificar distúrbios das funções superiores produzidos por alterações cerebrais. Dentro do contexto de saúde mental, esta modalidade de avaliação visa esclarecer a existência de alguma patologia orgânica que possa estar desencadeando a sintomatologia de um quadro específico. A avaliação neuropsicológica engloba a investigação da capacidade intelectiva do paciente, com o intuito de mensurar as funções cognitivas e o impacto de problemas psicopatológicos sobre o funcionamento cognitivo (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
As investigações no processo neuropsicológico voltam-se a cognição pois é entendido que a capacidade que possuímos para se obter a aquisição do conhecimento vem a partir dela, estando intimamente associado ao conceito de inteligência. Dessa forma, podemos esboçar o perfil intelectual de um sujeito através da avaliação quantitativa das capacidades cognitivas (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
Beck e Freeman acreditam em um modelo cognitivo sob um ponto de vista dinâmico e operacional. Para eles a percepção age como ponto chave do aparelho cognitivo, causando impacto na conduta e afeto. Por ser o responsável pelo modo como vemos os eventos, como são interpretados, a percepção influencia diretamente os nossos comportamentos e emoções. A questão acontece quando esta representação da realidade se constrói a partir de determinadas vivências distorcidas devido a psicopatologia que ganham formas intensamente distorcidas. Assim é importante destacar que, em muitos casos, distorções no pensamento servem para manter estados de humor disfuncionais. A deterioração intelectual é definida como um estado de modificação global das funções superiores que ocasionam condutas desadaptativas (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O que nos traz aos famosos quadros clínicos. Estes são respostas desadaptativas ou desviantes destacados por traços exagerados no desenvolvimento normal. Portanto a elaboração do psicodiagnóstico ajuda na identificação de que alguns fatores podem expor ou proteger a criança e ao adolescente do desenvolvimento de problemas emocionais e comportamentais (GAUY; ROCHA, 2014).
Estes fatores de risco são entendidos como a presença de uma característica que aumenta a probabilidade da ocorrência de determinado problema para o desenvolvimento normal psíquico. Apesar de tudo é necessário que faça-se visto que é evidente que os quadros psicopatológicos geram custos e grandes impactos, tanto nas instituições escolares e de saúde, como principalmente na vida pessoal e familiar (GAUY; ROCHA, 2014).
Portanto o ideal nesta modalidade da psicologia é que a classificação dos quadros clínicos abarque definições mais próximas e seguras, onde possam orientar os profissionais da melhor maneira possível e principalmente uma compreensão sobre os fatores de risco para que assim possam ser pensadas estratégias preventivas (GAUY; ROCHA, 2014).
_______________________________________________________________ 
DUARTE, Cristiane S; BORDIN, Isabel As. Instrumentos de avaliação. Rev Bras Psiquiatr, São Paulo, p.55-58, 2000.

VIEIRA, Carolina; FAY, Eliane da Silva Moreira; NEIVA-SILVA, Lucas. Avaliação psicológica, neuropsicológica e recursos em neuroimagem: novas perspectivas em saúde mental. Aletheia, Canoas, n. 26, p.181-195, dez. 2007.

GAUY, Fabiana Vieira; ROCHA, Marina Monzani da. Manifestação Clínica, Modelos de Classifi cação e Fatores de Risco/Proteção para Psicopatologias na Infância e Adolescência. Temas em Psicologia, Brasília, v. 22, n. 4, p.783-793, 2014.

Nenhum comentário:

Postar um comentário