Na
psicologia há uma modalidade que busca um enquadramento situacional do paciente
para que a partir disso possa se encontrar um norte e dessa forma, uma lista de
maneiras de como lidar e agir em determinada situação. Para tanto há
instrumentos com diferentes finalidades, sendo possível identificar problemas
de saúde mental, efetuar o diagnóstico psiquiátrico, mensurar o desenvolvimento,
a inteligência, a adaptação social, entre outros parâmetros. Estes instrumentos
são o que chamamos de avaliação psicológica (DUARTE; BORDIN, 2000).
Quando
a finalidade é a formulação de diagnósticos psiquiátricos, são muitos os
instrumentos padronizados existentes. São entrevistas semi-estruturadas
dirigidas aos pais e as crianças, onde a aplicação deve ser realizada por
profissional experiente na área da infância e adolescência, pois o julgamento
clínico também é necessário para gerar os resultados. Além de sondar os transtornos
psiquiátricos, é importante que a avaliação da saúde mental busque um contexto
mais geral, analisando os diferentes fatores que envolve a vida do sujeito,
como o ambiente sociocultural e familiar, entre outros aspectos no
desenvolvimento. Dentre tais aspectos, destaca-se o desenvolvimento cognitivo,
pois seu prejuízo parece estar especialmente relacionado a psicopatologia (DUARTE;
BORDIN, 2000).
Uma
grande contribuição que a avaliação faz sobre os problemas de saúde mental infantil
é a identificação dos fatores de risco, permitindo o melhor planejamento das
políticas de saúde mental na infância e a avaliação das intervenções e
tratamentos oferecidos (DUARTE; BORDIN, 2000).
No
entanto, na área da saúde mental, um dos objetivos a serem alcançados refere-se
ao correto diagnóstico e, para tal, utiliza-se instrumentos psicológicos
específicos. Recentemente os testes psicológicos vêm sendo questionados
principalmente em relação à fidedignidade dos resultados da avaliação. As
prováveis consequências disso devem-se a banalização no meio sócio profissional
e reforçada pela falta de critérios de fundamentos científicos (VIEIRA; FAY;
NEIVA-SILVA, 2007).
A
avaliação busca descrever e classificar o comportamento das pessoas com o
objetivo de enquadrá-los em uma tipologia que permita ao profissional tirar
conclusões sobre outros em mesma situação e assim saber como ele mesmo deve se
comportar e agir em relação ao paciente (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O
psicodiagnóstico, modalidade de avaliação referente a esfera clínica, é um
processo científico que utiliza métodos e técnicas psicológicas usando de
determinados princípios teóricos para identificar e interpretar aspectos
específicos classificando o caso e prevendo seu curso possível (VIEIRA; FAY;
NEIVA-SILVA, 2007).
O
trabalho na área clínica busca um foco investigativo, no qual o enfoque
principal torna-se o diagnóstico, prognóstico e a indicação de condutas
terapêuticas, já em um contexto hospitalar psiquiátrico ou de saúde mental, busca
englobar áreas da investigação da personalidade e aspectos neurológicos,
envolvendo os processos cognitivos subjacente ou não à atividade do sistema
nervoso em condições normais e patológicas (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O
objetivo destes e de muitos outros é identificar distúrbios das funções
superiores produzidos por alterações cerebrais. Dentro do contexto de saúde
mental, esta modalidade de avaliação visa esclarecer a existência de alguma
patologia orgânica que possa estar desencadeando a sintomatologia de um quadro
específico. A avaliação neuropsicológica engloba a investigação da capacidade
intelectiva do paciente, com o intuito de mensurar as funções cognitivas e o
impacto de problemas psicopatológicos sobre o funcionamento cognitivo (VIEIRA;
FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
As
investigações no processo neuropsicológico voltam-se a cognição pois é
entendido que a capacidade que possuímos para se obter a aquisição do conhecimento
vem a partir dela, estando intimamente associado ao conceito de inteligência.
Dessa forma, podemos esboçar o perfil intelectual de um sujeito através da
avaliação quantitativa das capacidades cognitivas (VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA,
2007).
Beck
e Freeman acreditam em um modelo cognitivo sob um ponto de vista dinâmico e
operacional. Para eles a percepção age como ponto chave do aparelho cognitivo,
causando impacto na conduta e afeto. Por ser o responsável pelo modo como vemos
os eventos, como são interpretados, a percepção influencia diretamente os nossos
comportamentos e emoções. A questão acontece quando esta representação da
realidade se constrói a partir de determinadas vivências distorcidas devido a
psicopatologia que ganham formas intensamente distorcidas. Assim é importante
destacar que, em muitos casos, distorções no pensamento servem para manter
estados de humor disfuncionais. A deterioração intelectual é definida como um
estado de modificação global das funções superiores que ocasionam condutas desadaptativas
(VIEIRA; FAY; NEIVA-SILVA, 2007).
O
que nos traz aos famosos quadros clínicos. Estes são respostas desadaptativas
ou desviantes destacados por traços exagerados no desenvolvimento normal. Portanto
a elaboração do psicodiagnóstico ajuda na identificação de que alguns fatores
podem expor ou proteger a criança e ao adolescente do desenvolvimento de
problemas emocionais e comportamentais (GAUY; ROCHA, 2014).
Estes
fatores de risco são entendidos como a presença de uma característica que
aumenta a probabilidade da ocorrência de determinado problema para o
desenvolvimento normal psíquico. Apesar de tudo é necessário que faça-se visto
que é evidente que os quadros psicopatológicos geram custos e grandes impactos,
tanto nas instituições escolares e de saúde, como principalmente na vida
pessoal e familiar (GAUY; ROCHA, 2014).
Portanto
o ideal nesta modalidade da psicologia é que a classificação dos quadros
clínicos abarque definições mais próximas e seguras, onde possam orientar os
profissionais da melhor maneira possível e principalmente uma compreensão sobre
os fatores de risco para que assim possam ser pensadas estratégias preventivas (GAUY;
ROCHA, 2014).
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DUARTE,
Cristiane S; BORDIN, Isabel As. Instrumentos de avaliação. Rev Bras Psiquiatr,
São Paulo, p.55-58, 2000.
VIEIRA,
Carolina; FAY, Eliane da Silva Moreira; NEIVA-SILVA, Lucas. Avaliação
psicológica, neuropsicológica e recursos em neuroimagem: novas perspectivas em
saúde mental. Aletheia, Canoas, n. 26, p.181-195, dez. 2007.
GAUY,
Fabiana Vieira; ROCHA, Marina Monzani da. Manifestação Clínica, Modelos de
Classifi cação e Fatores de Risco/Proteção para Psicopatologias na Infância e
Adolescência. Temas em Psicologia, Brasília, v. 22, n. 4, p.783-793, 2014.
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