''Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro.''
Sigmund Freud

segunda-feira, 30 de março de 2015

Conhecendo a psicanálise II

Outro conceito que também se tornou um dos pilares da psicanálise foi o de libido, a força dos instintos sexuais dirigidos a objetos. Com o desenvolvimento desta teoria, fez se necessária justapor a essa libido do objeto uma libido do eu ou narcísica.
A teoria da libido consiste em um dos pilares da psicanálise, sendo trabalhada por Freud ao longo de muitos anos, mas não foi ele o responsável pela criação do termo. Este termo surgiu com o pesquisador Moll, em 1898 e dai então usado por Freud para atribuir ao desejo sexual. Através da citação de Alfredo, temos uma forma simples do que Freud atribuía à libido ''Freud afirma a propriedade específica da libido em se referir a um potencial de desejo sexual e não outro. ''(ALFREDO, 2004, p.01).
Acompanhando o surgimento dessa teoria veio uma das mais importantes descobertas feitas por Freud, a de que o psiquismo humano forma-se a partir dos conflitos que, desde o nascimento confrontam os instintos sexuais e a realidade, sendo essa força dos instintos sexuais, a libido. O surgimento dessa teoria na psicanálise gerou conflitos e repulsa, pois queria dizer que crianças também possuíam uma sexualidade em uma época em que Freud se encontrava, entre fins do século XIX, o que era ultrajante para a sociedade. A sexualidade só viria a surgir posteriormente, na adolescência e que bebês e crianças pequenas eram tidos como puras e inocentes, com essa nova ideia sobre a infância, Freud atraiu maus olhares (CUNHA, 2008).
Com o desenvolvimento da libido, ocorre o processo de escolha do objeto que virá a desempenhar grande influência na vida psíquica. O primeiro objeto alvo desta libido, para ambos os sexos, é a mãe. Ainda na infância irá se vivenciar o complexo edípico, onde o menino concentra seus desejos sexuais em sua mãe desenvolvendo impulsos hostis para o pai, tendo-o como um rival. De maneira diferenciada, comporta-se a menina (FREUD, 1925).
Com o desenvolvimento dessas e outras teorias, a psicanálise tornou-se aplicável na psiquiatria, contribuindo com os estudos de neuroses e psicoses.  Contudo, ela não se conteve somente nesse campo, apesar de ter chamado a atenção do mundo intelectual com sua atuação na psiquiatria, a psicanálise vem da relação com a vida psíquica normal, não com a patológica. Inicialmente, a pesquisa psicanalítica tinha por objetivo investigar alguns estados psíquicos que poderiam ser a gênese de certas psicopatologias. Contudo nesses estudos veio a conhecer relações de importância fundamental (FREUD, 1924).
O estudo das repressões e de outros fenômenos abordados fez com que a psicanálise levasse em consideração o inconsciente. O psiquismo era primeiramente inconsciente, tornando a consciência uma qualidade que poderia ou não juntar-se a ela.  A partir daí, a tentativa de subdividir o inconsciente veio com o intuito de imaginar o aparelho psíquico composto por várias instâncias e sistemas com relações entre si, sem, apesar disso, associar esses espaços anatomicamente com o cérebro (FREUD, 1925).
A pesquisa das causas e motivações de certos quadros psíquicos levou aos conflitos entre os impulsos sexuais e a resistência à sexualidade. As vivências infantis sempre diziam sobre excitações sexuais e reações a elas, chegando à questão da sexualidade infantil. Verificou-se que a função sexual existe desde o princípio, apoiando-se primeiramente em outras funções vitais, posteriormente tornando-se independente delas, passando por vários desenvolvimentos até chegar à vida sexual normal do adulto. Apesar do conflito e da resistência com o termo sexual, a vantagem em desprender a sexualidade dos genitais permite considerar a atividade sexual da criança e do pervertido aos mesmos olhos da dos adultos normais, dando assim chance para uma nova compreensão. Na psicanálise as mais estranhas e repulsivas atitudes sexuais também se explicam como manifestações de instintos sexuais (1925, FREUD).
As teorias da repressão, do inconsciente, da vida sexual e seu surgimento, juntamente com as vivências infantis, são os principais componentes teóricos do edifício psicanalítico (1925, FREUD).
A psicanálise é uma linha teórica que se preocupa em compreender os atos e produções psíquicas do ser humano. Para isso, desenvolveu uma teoria geral do homem que se propõe a estudá-lo na intersecção entre seus aspectos históricos e dinâmicos, com o objetivo de encontrar ligações causais entre o passado, presente e futuro do sujeito (CARPIGIANI, 2010).
Voltada para a descoberta e compreensão do inconsciente, a psicanálise começou a desenvolver com base na prática clínica, de forma absolutamente original, em um período em que a psicologia estava fixando alicerces nos laboratórios, nas bibliotecas e nas salas de aula, utilizando especialmente os métodos experimental, empírico e de introspecção. Porém, a psicanálise direcionou seu interesse para o comportamento anormal, para a dor psíquica, a partir da observação clínica. Freud enfrentou desde o começo de suas formulações e exposições de idéias e métodos grandes resistência por parte da sociedade médica da época. Ele mesmo reconhecia que a compreensão intelectual de sua teoria não era difícil, o complicado era a aceitação da sexualidade infantil e o reconhecimento de que o homem é dominado por processos psíquicos que desconhece (CARPIGIANI, 2010).
Temos, nas palavras de Mezan (1993):            

A psicanálise é simultaneamente um método de investigação do sentido dos atos e produções psíquicas do ser humano, uma teoria geral do homem, baseada nos resultados desta investigação, e uma forma de tratamento de problemas mentais e emocionais derivadas do método e da teoria mencionados. É aproximadamente assim que Freud define em 1924, e esta definição conservam toda a sua validade        (MEZAN apud CARPIGIANI, 2010).


FREUD, Sigmund. AUTOBIOGRAFIA (1925). São Paulo: Companhia Das Letras, 2011.

FREUD, Sigmund. ALGUMAS CONSEQUÊNCIAS PSÍQUICAS DA DIFERENÇA ANATÔMICA 
ENTRE OS SEXOS (1925). São Paulo: Companhia Das Letras, 2011.

FREUD, Sigmund. RESUMO DA PSICANÁLISE (1924). São Paulo: Companhia Das Letras, 2011.

CARPIGIANI, Berenice. PSICOLOGIA: Das raízes aos movimentos contemporâneos. 3a Edição São Paulo: Cengage Learning, 2010.

CARVALHO, Luís Alfredo Vidal de. O CONCEITO DE LIBIDO EM PSICANÁLISE, 2004. Disponível em: http://www.cos.ufrj.br/~alfredo/classnotes/LUIS%20ALFREDO%20LIBIDO.pdf. Acesso em: 27 ago. 2012. 

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