Como
se deu sua origem e quais foram seus primeiros passos? Através de um abreviado
resumo do livro Psicologia, das raízes aos movimentos contemporâneos de
Berenice Carpigiani (2010), acompanhemos os primeiros passos da psicologia e
como se deu o seu surgimento, sendo, a princípio, o surgimento do conhecimento
e do pensar.
A
busca do conhecimento é uma força inerente à constituição e é um movimento
realizado pelo homem para compreender a realidade. Suas raízes originais estão
fincadas profundamente na história da humanidade e das civilizações e seu
desenvolvimento acontece sobre um trilho misterioso e fascinante. No início do
desenvolvimento das civilizações, o pensamento humano era voltado para a
sobrevivência e para as necessidades biológicas básicas. Pesquisas
antropológicas nos mostram o modo mais antigo utilizado pelos homens na busca
de sentido para os fenômenos naturais e para a própria vida: o mito, ou seja,
uma forma de pensamento que representa a expressão de uma primeira tentativa de
consciência do homem primitivo em direção ao estabelecimento de alguma ordem.
Vejamos
o mito como foi vivenciado entre os gregos, lá podemos encontrar o mito da
criação do mundo, este com uma síntese de relatos míticos tradicionais
mostrando a possível visão, naquela época, da criação do universo. Nos poemas
míticos, percebe-se a presença constante da interferência de forças poderosas e
divinas no comando da vida do homem. Os deuses, no pensamento mítico, são seres
imortais que exercem sua eterna soberania sobre o destino dos mortais. O mito
então corresponde a satisfação do desejo humano de encontrar o sentido e a
sistematicidade dos fenômenos que o envolvem.
Voltemo-nos
agora para a área da saúde, investigando seu sentido nesse período. Na
mitologia, Asclépio, ou Esculápio, foi coroado como o deus da medicina, no que
sugeriu o nome dos santuários de Esculápio, onde eram desempenhados cerimonias
de tratamentos para os gregos. É permitido conhecer o papel do médico, da
doença e os conceitos de saúde e de morte, onde vários mitos revelam uma
trilogia médico-saúde-doença de forma contundente. Nessa estrutura,
feiticeiros, xamãs, sacerdotes, cada qual a seu tempo e cultura, se debruçaram
sobre o conceito de cuidar e de curar, por meio de rituais míticos ou
religiosos com características mágicas. Tanto na Grécia, como na China e no
Egito, essas técnicas foram passando ás mãos dos sacerdotes considerados pelos
estudiosos uma mistura de padres, médicos e mágicos, sempre na tentativa de
defender o doente da ação maléfica dos deuses.
Em
torno de 2000 a.C, entre os assírios e os babilônios, tanto sacerdotes como
cirurgiões, descritos como homens comuns e do povo, cuidavam dos doentes. Esses
médicos prescreviam remédios em forma de comprimidos, supositórios e pós, que
sempre carregavam consigo no caso de serem chamados para atender um doente. No
Egito a prática da medicina ficou conhecida por causa das explicações
encontradas nos papiros, pois aí puderam ser verificados tantos registros das
formas de tratamento de feridas, fraturas, etc., quanto de diagnósticos e
também práticas de registro de prognósticos. Na medicina praticada entre os
povos judeu e persa, possuía características comuns, pois ambas apresentam
refinadas práticas cirúrgicas fundamentadas nos livros sagrados. Em seu aspecto
mítico, entre os judeus a doença era vista como maldição sobre o corpo, no
caso, da desobediência a Deus. Na Índia as práticas médicas estavam apoiadas em
oito volumes escritos ao longo do século IX a.C. Esses textos ensinam técnicas
diagnósticas, tratamentos, cirurgias, dietas. A China debruçou-se muito precoce
e profundamente sobre o ato de curar, desenvolvendo minuciosa compreensão sobre
a estrutura do corpo humano assim como estudos sobre ervas e acupuntura.
Tais
características principais encontradas no pensamento mítico. A projeção, nos
deuses imortais, dos desejos e das tentativas de organização do caos de
informações que rodeava o homem. A
intervenção dos deuses sempre está na essência da busca de sistematização
ritualizada dessas realidades. A ritualização das práticas de cura caracteriza
a estrutura mítica presente no exercício da medicina nesse período e essa
ritualização permanece ao longo do tempo com as evoluções que se sucedem. A
figura do médico toma novas dimensões no período pré-socrático entre os séculos
VII e VI a.C. Retórica e observação da natureza subsidia o surgimento do
pensamento racional.
Na
Grécia, em função das novas necessidades sociais, foi forçada a desenvolver
técnicas voltadas para o processo ‘’ensinar-aprender’’, desconectando-se
lentamente do apoio oferecido pelo pensamento mítico, começando a sustentar-se
na realidade percebida do cotidiano. O pensamento do homem começou a se teorizar,
vejamos agora sobre o período pré-socrático. No pensamento pré-socrático
destacam-se duas formas de compreensão do mundo. Um grupo preocupava-se com a
natureza e por meio da observação tentava encontra o elemento básico originador
e princípio ordenador da vida e da totalidade do universo, os fisiólogos. Cada
um desses pensadores exercitava o pensamento numa compreensão apoiada em
embriões de lógica, aportados na observação e na experiência direta com os
fenômenos, podendo ser considerados os precursores da ciência, inclusive da
psicologia.
O
segundo grupo de pensadores pré-socráticos, denominado sofista, pensava o homem
em sociedade, enfocava a importância do sujeito. Ligavam o conhecimento ao
sujeito conhecedor, entendendo este como instantâneo, passageiro, relativo e
puramente individual, ou seja: o homem é a medida de todas as coisas, das que
são o que são e das que não são o que não são. Argumenta que o conhecimento e a
verdade são impossíveis de serem alcançados, pois nada existe, e ainda que
existisse, não poderia ser conhecido, e mesmo que fosse não poderia ser
transmitido a outra pessoa, já que o sujeito que conhece e transmite não está
nas mesmas condições de quem o ouve, e cada um deles está embasado em sua
experiência particular. Os sofistas, assim como os fisiólogos, ao exercitarem a
observação e a razão com o objetivo de compreender a transformação e dar
sentido atualizado às relações do homem com a realidade, criam uma linguagem
que, lentamente, irá se opor à dos mitos, apontando bases referenciais e
elaborando princípios, que seja no plano do social, que seja no do natural.
O
conceito de saúde, nesse período, aponta para a ideia de uma compreensão
integral da natureza humana. O período pré-socrático simbolizou a conquista do
pensamento racional, conquista esta que incitou a curiosidade humana a pensar
na sua própria existência, o que culminou no aguçamento da observação e da
prática empírica tanto sobre os fenômenos da natureza quanto da própria
estrutura do corpo humano, na tentativa de entender a vida e a morte.
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CARPIGIANI, Berenice. PSICOLOGIA: Das raízes aos movimentos contemporâneos. 3a Edição São Paulo: Cengage Learning, 2010.
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CARPIGIANI, Berenice. PSICOLOGIA: Das raízes aos movimentos contemporâneos. 3a Edição São Paulo: Cengage Learning, 2010.
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