A
clínica se apresenta em várias versões e diferentes abordagens e modos de
intervenções. A prática clínica é descrita como uma psicoterapia, um tratamento
psicológico que engloba pelo menos três etapas: observar, analisar e intervir (QUADROS,
2012).
A
clínica é por vezes definida pelo seu local de realização, considerada uma
atividade do consultório privado, em detrimento de atividades de caráter
público, ou de sua área de atuação, como em clinica ou hospitais,
diferentemente da psicologia escolar ou organizacional. Contudo, nenhuma dessas definições é precisa,
realizam uma compartimentalização da disciplina psicológica, sendo fonte de
mitos e controvérsias. O ofício de ser terapeuta se constrói na reflexidade, no
diálogo constante e no questionamento do que isso suscita. A clínica é também
uma prática enquanto o psicólogo, a partir de suas escolhas, cria realidades
que podem tanto restringir quanto ampliar fronteiras entre mundos (QUADROS,
2012).
Uma
das intervenções e compreensão dos aspectos do comportamento pode ser obtida
pela prática de intervenção grupal, atendimento psicológico e grupos terapêuticos.
Na psicologia clínica considera-se que o processo terapêutico problematiza o
comportamento humano e pesquisa as possibilidades de dota-lo de sentido, transformando
as representações que acontecem no processo clinico (OLIVEIRA
et al., 2009).
A
possibilidade de um espaço de grupo pode se tornar uma importante estratégia de
trabalho, possibilitando trocas e redefinições em que os recursos do próprio
grupo se potencializam. Valoriza-se os movimentos do grupo e sua capacidade de
produzir saberes sobre ele mesmo tão ou mais importante que o saber teórico
muitas vezes colocado na figura do terapeuta. Como estratégia é possível utilizar
nos grupos dispositivos que funcionam como geradores de pontos de
problematizações e enriquecem as conversações. O uso de dramatizações, leitura
de histórias, jogos e brincadeiras, palestras informativas e até mesmo algumas
técnicas de avaliação são exemplos de dispositivos (OLIVEIRA et al., 2009).
Por fim, a prática clínica, seja ela um
acompanhamento individual ou um trabalho em grupo terapêutico, nos traz um
trabalho cheio de diferenças e singularidades. Este acaba não sendo um ofício
que se faz pela teoria, mas sim pelo encontro, pois a técnica, por mais que
seja elaborada e instruída, jamais preparará para o encontro com o outro (QUADROS,
2012).
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QUADROS,
Laura Cristina de Toledo. Desafios da prática clínica na formação de
psicólogos: revendo fronteiras e criando possibilidades. Igt na Rede, Rio de
Janeiro, v. 9, n. 17, p.187-199, 2012.
OLIVEIRA,
Beatriz et al. Psicologia Clínica – Psicologia e prática clínica – Psicologia
de Grupo – Atendimento psicológico de grupos. 2009. Disponível em: <
http://www.psicologiananet.com.br/psicologia-clinica-psicologia-e-pratica-clinica-psicologia-de-grupo-atendimento-psicologico-de-grupos/853/>.
Acesso em: 15 dez. 2014.
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