A
evolução da Medicina, do significado da doença, do papel do doente e do médico,
a evolução das pesquisas e da tecnologia que avançavam rapidamente nos
laboratórios das universidades, forneceram lastros para que houvesse a primeira
estruturação sistemática da psicologia, portanto está surgiu profundamente
amalgamada aos métodos aplicados nos laboratórios de medicina. Em 1879 foi
criado o primeiro Instituto de Psicologia Experimenta do mundo, na cidade de
Leipzig, Alemanha, e seu fundador chamava-se Wilhelm Wundt. Ensinava fisiologia
em um século que o espírito positivista e empirista impregnava a medicina,
portanto, suas preocupações e suas experiências estavam fortemente amparadas
pelo método experimental. No início do século XIX, a tendência de utilização de
métodos experimentais se confirma em função dos registros conhecidos que
descrevem numerosos experimentos que fundamentaram a compreensão sobre o
funcionamento orgânico. Estudos sobre a velocidade do impulso nervoso, a
audição, a visão, os nervos sensoriais, a percepção e suas nuanças, a relação
quantitativa entre corpo e mente, realizados por diferentes métodos, foram
propiciando descobertas e forçando o desenvolvimento de técnicas de pesquisas
cada vez mais elaboradas. E foi nesse movimento que deu base para o surgimento
da psicologia experimental. O objeto de estudo dela era a experiência em si, a
que acontece antes da reflexão, livre de qualquer interpretação na qual ele
incluía sensações, percepções, sentimentos e emoções, mas para chegar até essas
experiências o psicólogo deverá utilizar os métodos de experimentação e de
introspecção.
A
introspecção era praticada pelos estudantes que passavam por um longo e
rigoroso treinamento no método introspectivo, antes de serem capacitados a
fornecer dados reconhecidos e confiáveis, deveriam realizar mais ou menos 10
mil observações introspectivas. O problema da psicologia era a análise desses
fenômenos mentais, divididos em três classes: sensações, imagens e sentimentos.
Para Titchener, a psicologia era definida como uma ciência pura, sem interesses
utilitários ou aplicados, sem preocupação como patologias, sistemas sociais e
econômicos ou com as condições culturais dentro das quais a mente opera.
O
mundo científico começou a se dar conta das diferenças individuais e a se
preocupar com a força da cultura, portanto a psicologia também precisou voltar
suas pesquisas para essas questões. Não cabia mais no cenário científico ou
mesmo social e político uma ciência sem finalidade útil para a humanidade. As
principais características do surgimento dessa nova linha de pensamento em
psicologia surgem como oposição ao pensamento estrutural e defendem a
importância do conhecimento sobre o funcionamento da mente.
Com o surgimento desses diversos
pensamentos de pesquisa, um deles foi a escola funcional, onde esta pretendeu
compreender tanto o comportamento e suas inter-relações complexas e continuar
quanto à consciência, abrindo um campo de interesse de estudos que permaneceu
hermético na escola estrutural. Tornou-se a principal corrente psicológica e
ampliou os campos de estudo e pesquisa sobre a compreensão da atividade mental,
levando em conta as diferenças individuais e as influências culturais. Assim
temos o início de uma ciência em suas tentativas de descobrir os segredos do
funcionamento mental humano.
CARPIGIANI, Berenice. PSICOLOGIA: Das raízes aos movimentos
contemporâneos. 3a Edição São Paulo: Cengage Learning, 2010.
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